A Chegada da Geely e o Apoio da Renault
O mercado de carros elétricos no Brasil acaba de ganhar um concorrente de peso. O Geely EX5 2026 desembarca como o primeiro modelo da marca chinesa em solo nacional, trazendo uma proposta clara: oferecer mais conforto, tecnologia e eficiência para quem busca fugir do óbvio.
Embora a Geely chegue com o suporte logístico e de pós-venda do Grupo Renault (o que tranquiliza muitos compradores preocupados com peças e manutenção), o EX5 trilha um caminho próprio. Com preços competitivos — a versão Max testada custa R$ 225.800 —, ele mira diretamente nos consumidores que consideram o BYD Yuan Pro ou o Yuan Plus, mas desejam um acabamento superior e uma rodagem mais focada no conforto "europeu".
Neste review detalhado, vamos explorar o que faz do Geely EX5 uma opção interessante, seus pontos fortes em autonomia real (que surpreendem) e onde ele ainda precisa de polimento.
Design e Dimensões: Discreto, mas Sofisticado
Ao primeiro olhar, o Geely EX5 adota uma postura de "luxo silencioso". Ele não grita por atenção com linhas futuristas exageradas ou excesso de cromados, preferindo um visual limpo, elegante e atemporal.
Suas dimensões são generosas para a categoria: com 4.415 mm de comprimento e, principalmente, 2.750 mm de entre-eixos, o espaço interno é um dos seus maiores trunfos. O assoalho plano na traseira permite que três adultos viajem com conforto raro nesse segmento.
- Porta-malas: 461 litros. Embora o subwoofer do sistema de som roube um pequeno espaço lateral, há um prático compartimento sob o assoalho para guardar cabos de carregamento.
- Rodas: A versão Max vem equipada com rodas de liga leve de 19 polegadas com design aerodinâmico.
- Estilo Tech: Teto solar panorâmico gigante e maçanetas retráteis que melhoram a aerodinâmica (Cx) e reduzem o ruído de vento.
Desempenho e Bateria: Eficiência Surpreendente
Sob o capô, o EX5 carrega um motor elétrico de ímã permanente síncrono no eixo dianteiro, entregando 218 cv (160 kW) e 32,6 kgfm de torque imediato. O resultado é um 0 a 100 km/h na casa dos 7,2 segundos. É um desempenho que sobra para o uso urbano e garante ultrapassagens seguras e retomadas vigorosas na estrada, sem aquele "susto" de potência excessiva que alguns elétricos têm.
O Grande Trunfo: Autonomia Real
O grande destaque é a bateria de Lítio-Ferro-Fosfato (LFP) de 60,22 kWh. A química LFP é conhecida pela durabilidade e segurança (não pega fogo facilmente em perfurações).
*Em testes práticos, o carro atingiu médias de 7 km/kWh na cidade, superando a estimativa oficial do Inmetro.
O sistema de carregamento também agrada e supera muitos rivais. Em Corrente Contínua (DC), ele aceita picos de até 80 kW, permitindo ir de 30% a 80% em cerca de 20 minutos. Já em casa (AC), ele se destaca por aceitar até 11 kW (Trifásico), enquanto a maioria dos concorrentes (como o Dolphin) limita-se a 7 kW.
Interior e Tecnologia: Um Salto de Qualidade
Ao entrar na cabine, nota-se imediatamente que a Geely investiu pesado para superar os rivais chineses em acabamento. Materiais macios ao toque (Soft Touch), couro sintético de alta qualidade e montagem precisa estão por toda parte. Não há rebarbas ou plásticos duros aparentes nas áreas de toque.
A tecnologia é centralizada em uma enorme tela multimídia de 15,4 polegadas com resolução 2.5K. O conceito é de um "SDV" (Software Defined Vehicle), onde quase tudo — do ajuste dos espelhos ao ar-condicionado — é controlado pela tela.
Destaques da versão Max:
- Som Premium FLYME: Sistema com 16 alto-falantes, incluindo caixas embutidas nos encostos de cabeça do motorista para navegação e chamadas privativas.
- Head-Up Display (HUD): Projeção de 13,8" no para-brisas, mantendo os olhos na estrada.
- Bancos de Primeira Classe: Dianteiros com aquecimento, ventilação e massagem (para o motorista). O passageiro ganha um apoio de pernas elétrico (ottoman) para viajar deitado.
Ponto de Atenção: Apesar do luxo, o software ainda apresenta algumas falhas de tradução (o teto solar é chamado curiosamente de "guarda-chuva" em alguns menus), algo que a marca promete corrigir via atualizações OTA (Over-the-Air) futuras.
Como é Dirigir o Geely EX5?
A palavra-chave aqui é conforto. A suspensão foi calibrada especificamente para o Brasil, filtrando as imperfeições do asfalto, buracos e remendos com maestria, tornando-o notavelmente mais macio que seus concorrentes diretos que tendem a ser mais rígidos.
A direção é leve, ideal para manobras urbanas, auxiliada por um sistema de câmeras 360º de altíssima resolução (com função "chassi transparente"). Na estrada, o silêncio impera até os 110 km/h. Acima disso, nota-se algum ruído de vento, comum em SUVs com grandes espelhos.
O pacote ADAS (assistência ao motorista) é completo, com piloto automático adaptativo (ACC) e centralização de faixa, embora a intervenção na direção possa ser um pouco conservadora demais em curvas rodoviárias.
Veredito: O Geely EX5 Vale a Pena?
Se você busca um SUV elétrico que prioriza o conforto da família, tem acabamento superior à média da categoria e uma eficiência energética invejável, o Geely EX5 Max 2026 é uma escolha fortíssima.
Ele entrega mais "mimos" tecnológicos e espaço interno que o BYD Yuan Plus por um preço competitivo, com a segurança extra de ter a rede Renault na retaguarda do pós-venda e manutenção. É a compra racional para quem quer tecnologia sem abrir mão da paz de espírito.